Bens Que Vêm Por Mal (EP)

by Daniel Catarino

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  • CD "Bens Que Vêm Por Mal"
    Compact Disc (CD) + Digital Album

    Capa de cartão com ilustrações de Cristina Viana (www.acristinafaz.com)
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1.
DE PASSARINHO A CONDOR Livrei-me da consternação Porque a memória não é vida E a combalida emoção Não é radar de gente ferida Prego a prego Taco a taco Eu enlaço o embaraço Viro do avesso a dor Prego a prego Taco a taco Eu refaço-me num passo De passarinho a condor Fiquei de caras com o fim Inventei um outro começo Dedicado a saber de mim E a cultivar-me por apreço Letra e música: Daniel Catarino
2.
VIOLÊNCIA E FADO Havia uma pobre mulher Que guardava novilhos Tinha um cajado na mão E batia nos filhos Violência e fado Não ficam nada bem Não ficam nada bem Educados à força Na cabeça demente De um homem que batia No que via à frente Violência e fado Não ficam nada bem Ao domingo na missa Pediam clemência Tapados no esplendor Do manto da aparência Violência e fado Não ficam nada bem Não ficam nada bem Dantes é que era bom Dizem os velhos do lar No paraíso machista De Oliveira Salazar Venha porrada e mau viver Quero porrada e mau viver Dá-me porrada e mau viver Quero porrada e mau viver Eram tempos de glória Diz a falta de memória Violência e fado Não ficam nada bem Não ficam nada bem Letra e música: Daniel Catarino
3.
ÍDOLO DE KARAOKE Ídolo de karaoke Vens a reboque Nas páginas dos jornais És como o papagaio Forte operário Na cópia de originais Foste operado ao ego Tens um emprego No ramo da imitação E o triunfo do nada Dá-te uma entrada Na festa da ilusão Na fábrica do que é nulo És um casulo Sem borboleta nem seda Leãozinho amestrado Foste enganado Esperas o que nunca chega Tens a alma filtrada Segues a estrada Do que já aconteceu És Amália sem fado Estás agarrado A um talento que nunca foi teu Letra e música: Daniel Catarino
4.
ADULTÉRIO NA IGREJA Pedir perdão É o azeite da paixão Na salada de ilusão Que é sentires-te perdoada Com a boca envinagrada Pedir perdão é não dar nada Dizer talvez É o jeito português De evitar a acidez Das azedas carpideiras No cemitério há feiras Vendem-se caixões e saladeiras Cimentado o cemitério Comete-se adultério na igreja Que não aleija tanto a fé No café Dizer o que se é É não ser o que se diz É pimenta no nariz Que se espalha nos sentidos As abelhas sem zumbidos Fazem mel na cera dos ouvidos Pedir perdão É dizer que não fui eu É queimar um bom ateu E aquecer-se na fogueira É errar a vida inteira E pedir perdão por brincadeira Cimentado o cemitério Comete-se adultério na igreja Que não aleija tanto a fé No café Letra e música: Daniel Catarino
5.
AS MENINAS LOUCAS DA MONTANHA As meninas loucas da montanha Fazem festas, não convidam ninguém Atiram pedras aos comboios E só ouvem o que lhes convém Com as suas mini-saias transparentes Vão à missa seduzir os crentes Mostram-lhe os seios e tocam-se entre pernas Lambem os pés da estátua do mecenas Foi ali que eu as vi tão belas Entre estrelas de Hollywood e Cinderelas Calçavam botas de borracha pretas Vestido leve que usavam sem cuecas Perguntei o que faziam ali Responderam que esperavam por mim E riram como loucas as três Beijaram-me na boca à vez Tiraram a roupa peça a peça Eu despi-me logo muito à pressa Deitámo-nos na terra molhada E fizemos amor em manada As meninas loucas da montanha Fazem festas, não convidam ninguém Atiram pedras aos comboios E só ouvem o que lhes convém Riram baixinho no final da festa E eu levei com três pancadas na testa Amordaçaram-me a boca com um trapo Senti-me a cair num buraco E aterrei num poço profundo Tudo em que tocava estava imundo Livrei-me da mordaça e gritei Mordeu-me a ratazana que pisei E as meninas espreitaram do topo Ouviu-se o eco de um riso louco Fecharam o alçapão e fez-se escuro E eu com pedras raspava contra o muro Desmaiei e acordei em sobressalto As meninas loucas riam alto Com o corpo ferido e deformado Foi ali que morri esfomeado Letra e música: Daniel Catarino
6.
OS MENINOS LOUCOS DA PLANÍCIE Ao descer a avenida Com a boca toda ferida Descobri um mistério por resolver Encontrei um silêncio A rondar o comércio Que fechou quando ninguém estava a ver Gente pobre é gente fraca Candelabros de ouro e prata no chão Ao passar numa porta A ranger, toda torta Quis entrar nas ruínas de um burguês Ao abrir um buraco Descobri um palácio Com paredes de luxuosa altivez Deixei-me cair de corpo Sobre um manto de borboto no chão Restos de camas de rede E pinturas na parede De famílias que sorriam num altar Um baú cheio de jóias E um diário de paranóias De uma jovem que morreu sem se casar A madeira bem queimada Partiu-se ao subir a escada e eu caí Encontrei uma cave O tecto preso numa trave Que cedeu e caiu junto aos meus pés Ao ouvir um vento rijo Encontrei um esconderijo Que servia de jazigo de bebés Quis fugir dali para fora Tentei dar um nó na corda do estendal Vi no chão uma pintura Por detrás da moldura Estava um texto que me pôs logo a tremer "Quem não sabe ao que vem Não verá mais ninguém Aqui chegou e aqui irá morrer" O telhado desabou Ali mesmo me enterrou e eu morri Letra e música: Daniel Catarino

about

“Bens Que Vêm por Mal é a caixa de ritmos transportada na alcofa. São as gastas luzes de néon a definhar para sempre, penduradas na fachada do café central de uma qualquer aldeia esquecida. É a excursão que partiu de Cabeção rumo ao Cristo-Rei mas que acabou no Lux, porque havia cogumelos no parque de merendas.

Este mostruário de canções consegue encapsular, em coisa de vinte minutos, o mundo: vai da crítica corrosiva, pontuada pela perspicácia afiada do autor, à narrativa tremendamente visual de inquietantes histórias tecidas com mestria." - João Baião (Amanita Ponderosa)
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"Bens Que Vêm Por Mal é um trabalho sofisticado na forma como engloba a música electrónica, por vezes até dançável, com um universo muito português de religião, tragédia, fado e adultério. Viajamos por histórias de carpideiras promíscuas que vendem caixões e saladeiras em cemitérios, meninas loucas que depois de orgias atiram os seus parceiros sexuais para um poço fundo, pastores que maltratam os filhos e apregoam o regresso de Salazar como um D. Sebastião para a violência doméstica e casas abandonadas que revelam diários de paranóias e jazigos de crianças.

No meio deste universo de uma lírica extremamente rica e mordaz, somos presenteados com ambientes reminiscentes de uns Nine Inch Nails ou The Knife, com algumas pitadas de psicadelismo e laivos do pop nacional dos anos 80, de onde certamente se destaca Variações como influência maior. A música portuguesa agradece este reforço." - António Melo
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Uma edição Capote Música
www.capotemusica.weebly.com
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credits

released September 1, 2014

Músicas, letras e produção por Daniel Catarino.
Masterização por Joel Figueiredo.
Grafismos e título do disco por Cristina Viana.

Uma edição Capote Música: www.capotemusica.weebly.com

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about

Daniel Catarino Porto, Portugal

Daniel Catarino é um cantautor alentejano, residente no Porto. Em canções que fundem a música de raiz e o rock, aborda os paradoxos da humanidade entre a frieza analítica e o calor poético.
Ao vivo, apresenta-se em trio, acompanhado por Manuel Molarinho no baixo e Xinês na bateria.
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