Sangue Quente Sangue Frio

by Daniel Catarino

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    Edição em vinil de 12" do álbum "Sangue Quente Sangue Frio", com ilustração de Alexandre Tavares

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    CD em Digipack com ilustração de Alexandre Tavares, edição de 100.

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1.
Segue o rasto de areia Daqui até à ilha Onde os cães podem uivar Com o líder da matilha Despidos até às entranhas Cavamos túneis na montanhas E o chão é o rasto de um vulcão Pisa a uva do presente O pé do futuro Brindemos à nossa carne Com vinho maduro Passamos despercebidos Na caverna dos distraídos A pintar figuras rupestres De viajantes destemidos A retina da rotina Muda a cor dos dias E o teu rosto ilumina As grutas mais sombrias Somos biólogos do afecto Pestanas de um só olho aberto A tocar baladas de ouvido Aos viajantes destemidos
2.
vou comendo os restos de migalhas que sobraram do pão de quem comeu faço poses revolucionárias quis lutar mas o punho não se ergueu atiraram-me areia para os olhos distraído, só lhe vi a cor fui castrado e cortaram-me a cabeça e eu à pressa, escolhi o mal menor saí de um sentido proibido dei num beco sem saída subi, mas já sabia que ali o caminho é só descida fiz-me de burro mas não cheguei à palha comi restos de migalhas fiquei a dever à coerência quando me sentei para jantar no banquete de quem me meteu dentro da panela a cozinhar fugi por um caminho de cabras dei de caras com um batalhão de soldados com a barriga cheia à boleia prá revolução a linha da frente normalmente chega sempre atrasada as forças opressoras com vassouras varrem-me logo à entrada fiz-me de lixo mas nem assim entrei restos de migalhas jantei
3.
Meio trono e um rei Meio fora-da-lei Meio justo Meio fraco Meio erro é falhar Meio ovo que já canta de galo Meio estrelado Meio estrela-do-mar Meia dose e um prato Meio pé no sapato Meio dedo na meia Meia sola no chão Meia pegada no tecto da cozinha Meia adivinha com meia solução Então, então Conta os dedos da mão Meio lobisomem faz um lobo Meia lua cheia não o faz uivar Meio filho de peixe não aprende a nadar Meia onda bate em Meia Praia Meio morto que não vai ressuscitar E por meio dos meios Meia meada a fiar Meio rabo de fora Meio atraso é demora Meio-dia Meia hora Meia-calça é calção Meio despida a sereia descalça Meias e botas por meio tostão Meia fonte de esperança No meio da balança Meio choro Meio riso Meia fé é descrer Meia verdade é medalha sem pódio E meio ódio nem começa a correr Então, então Conta os dedos da mão Meio lobisomem faz um lobo Meia lua cheia não o faz uivar Meio filho de peixe não aprende a nadar Meia onda bate em meia praia Meio morto que não vai ressuscitar E por meio dos meios Meia meada a fiar
4.
ergue-te ó sol da alvorada coroado astro-rei da neblina cerrada cai a chuva que eu chorei da evaporação das lágrimas no chão nasceu um rio junto ao mar voam os pardais de telhado que a terra cultivou no sótão desventrado que a memória ocupou com rochedos de pó e as cinzas dos avós que um dia vão poder dançar e depois vem o rio corre em fio para o mar crescem os frutos de outra árvore colhidos de manhã no peito das palavras que saltam do sutiã na marcha nupcial chorei um funeral reguei as flores do altar tirei do centro a gravidade vontade por cumprir abrigo da saudade de um fado que quer mentir cordão umbilical num útero de sal que prende o feto até chorar e depois vem o rio corre em fio para o mar fiz amizade com a saudade esculpida em pó de arroz da vitrine da noite vi um sol que não se pôs a pomba amanheceu na estátua que se ergueu de um rosto anónimo a cantar e depois vem o rio corre em fio para o mar
5.
Ai pensa bem se queres ir à luta Que não acaba, não, nunca tem um fim Pensa bem primeiro Fazer buracos no meio das toupeiras Esconder a alma e nunca mais a ver É tiro certeiro A vida passa ao lado Fica recortada em partes Ai sabes bem que a força é um martelo Que bate chapas na testa de quem tem Uma bala ao meio Ai ficam sonhos que te fazem a cova Coças a perna mas não a sentes lá Só o formigueiro
6.
01:47
Não há só coisas que são a mesma coisa daquelas coisas que te fazem ouvir há sempre algo a descobrir só tens de resistir ao velho fado que diz que já está tudo inventado Não há só ditos de coisas em ditado nem os dizeres se dizem por dizer há sempre algo a perceber só tens de te erguer por entre os escombros que é encolher o ego e não os ombros a ditadura já usa dentadura e a liberdade ainda não nasceu
7.
02:32
microscópios de última geração não se focam na imaginação câmara lenta não aguenta a rapidez tecnologia de ponta de um corno descobre o fogo no bico do forno a matemática da invalidez fabrica armas mas só conta até três ó mãe ciência sem essência, cura o teu mal descobre o vírus da futilidade esquece a procura da eternidade evolução é ter a fé no lado oposto a qualquer religião não fazer tripas do bater do coração peixe fresco da sanita do mar embalado depois de estragar investe o imposto do mau gosto em legislação com desconto para toda gente nasce a fruta podre na semente da evolução que é ter a fé no lado oposto a qualquer religião não fazer tripas do bater do coração evolução não fazer tripas do bater do coração
8.
estratosferas de igualdade ignoram que a realidade é louca que o ventrículo rural da cidade é imitação bacoca dos excessos da modernidade da ausência de ar e humildade não se vive o que era dantes em tubos de escape fumegantes eu vou fugir da cidade citações de ídolos mortos para gáudio de infiéis seguidores monumentos com os pilares tortos pilhas de sapatos sem atacadores os escritores morreram de amores pela capa da gazeta dos desportos e a humidade nas estantes livra os livros dos amantes eu vou fugir da cidade individualidades de papel que esvoaçam como almas fotográficas fazem do coração um bordel com ilustres personagens pornográficas e há veneno nos poros da pele limitado às formas geográficas confortáveis no seu nicho a remexer no lixo eu vou fugir da cidade
9.
Como uma fera sempre à espera de outra O macho alfa só tem paz na luta Se for a doer Logo em criança aprende a nunca se render Num oceano de gente bruta Nunca se vira a cara à luta Um homem não tem dor Só faz doer Um macho come a sua cria Usa a coroa da família Defende a mulher Prende os seus filhos na masmorra do saber Escondido no caparro Faz-se homem num cigarro Não deixa nada por fazer, não espera Não fica em paz podendo estar em guerra
10.
Onde vais a correr Qual abutre num campo de concentração Se tens mais que fazer Tenta passar por cima ou vai de avião Onde vais a correr Como lebre que foge do caçador Se tens mais que fazer Põe a tua cabeça a queimar no motor Respirar, nem pensar Que parar é morrer A vida é um ponto de partida Vais a meio da corrida E a meta sempre a fugir O que estás a fazer Com a mão na buzina e a outra a acenar Porque não vais beber Bombas de gasolina até rebentar Onde vais a correr A passo de antílope a fugir do leão Se tens mais que fazer Vai de comboio no lugar do carvão A soprar no vapor Da fornalha a aquecer A curtir, sempre a abrir O meu filme de acção É passar por idosos Em contra-mão
11.
06:01
ouve a música tocar outra vez mata a fome em excesso e vira do avesso o preconceito da solidão dá-lhe a mão e ouve a música tocar outra vez sem querer fazer história ou entrar na memória um julgamento não é expressão dá-lhe a mão são dois minutos e um quarto ninguém fica farto e a guitarra entra em trabalho de parto e nada volta a ser o que foi ouve a música tocar outra vez quando acabam os dias ficam melodias e alguém ressona no refrão dá-lhe a mão e ouve a música tocar outra vez sem palavras de ordem ou outras que mordem sujeita a quem aperta o botão dá-lhe a mão são dois minutos e um quarto ninguém fica farto e a guitarra entra em trabalho de parto e nada volta a ser o que foi e ainda bem e ainda bem vigente moda que passou pela frincha da verdade triste tritão que me gorou a tarimba da ansiedade inspira o duro amanhecer a canção madrugadora espera por mim não saltes o fim da canção que ainda agora escrevi para ti se esta canção não te agradar um minuto de silêncio tenho latim para gastar e a latir me despeço ouve a música tocar tocar outra vez sem querer fazer história ou entrar na memória ouve a música tocar tocar outra vez sem palavras de ordem ou outras que mordem ouve a música tocar tocar outra vez quando acabam os dias, ficam melodias
12.
não há abraço que envolva o cansaço que é ter na alma palavras por dizer há sempre algo por escrever só tens que responder pelo que fazes que é ir à guerra e fazer as pazes não há cantigas no reino das barrigas nem as vivências se deixam por viver o sangue canta com paixão bombeia um coração amargurado que marca o tempo no compasso errado toda a verdade está presa por um fio porque a mentira ainda não morreu num sopro quente, o sangue fez-se rio num leito frio, a lua fez-se breu cantou-se a morte num longo assobio e a liberdade ainda não nasceu

credits

released April 8, 2019

Daniel Catarino: voz, guitarras, baixo, guitalelé, ukulelé, teclados, percussão, produção e gravação
com:
Celina da Piedade: voz (1)
António José Bexiga: viola campaniça (2, 4), cavaquinho (2)
Xinês: bateria (2, 3, 7, 8, 10, 11)
Paulo Pereira: flauta (1, 2), rauschpfeife (2)
Cláudio Pereira: voz (4)
Cristina Catarino: percussão (5)
Zé Peps: guitarra slide (5)
Pedro Pestana: guitarra (5)
Luís Pucarinho: voz (6)
David Jacinto: voz (7)
Nils Meisel: banjo (8)
Manuel Guerra: voz, guitarra (12)
Nuno Páscoa: piano (12)

Letras e músicas por Daniel Catarino.
Gravado entre 2013 e 2018 em Cabeção, Azaruja, Évora, Portimão, Nossa Senhora de Machede, Porto e Tires.
Baterias gravadas por Xinês nos Évora Recording Studios.
Misturado e masterizado por Marco Cipriano nos Poison Apple Studios.
Fotografia por Ana Gomes.
Design e arte final por Alexandre Tavares.

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Daniel Catarino Porto, Portugal

Daniel Catarino é um cantautor alentejano, residente no Porto. Em canções que fundem a música de raiz e o rock, aborda os paradoxos da humanidade entre a frieza analítica e o calor poético.
Ao vivo, apresenta-se em trio, acompanhado por Manuel Molarinho no baixo e Xinês na bateria.
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